Quatro anos e meio atrás mais uma etapa da jornada sem fim se iniciava. O início dessa jornada foi há 19 anos e o fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar…
Nesta segunda feira, 23 de agosto, eu recebi o meu diploma de Bacharel em Ciência da Computação. Nos meus últimos dois meses na faculdade a pergunta que eu mais escutava vindo de familiares e amigos era “e depois?”. Pô, eu ainda nem tinha terminado a faculdade e as pessoas já queriam saber quando que eu iria estudar novamente! Esqueceram que eu já estudo desde os 3 anos de idade? E foi através dessa indagação que passou pela minha cabeça um mini-flashback da minha vida estudantil.
Como todo garoto que segue o cronograma, eu comecei a estudar aos 3 anos de idade numa escola do bairro onde moro. Cursei apenas as séries pré-alfabetização nessa escola, mas tive bons momentos nos três anos que passei lá. Claro, que eu não me lembro de muita coisa, mas alguns fatos ficaram marcados na memória, como a primeira e única vez em que eu fiquei de castigo na escola (e que me emociona até hoje). Sempre fui bom aluno, mas as professoras certamente se lembravam de mim por ser a criança chata que não gostava de ter o rosto pintado. Enquanto na Páscoa todos os meus colegas saiam com o rosto pintado de coelhinho, eu malmente deixava que colocassem as orelhas de coelho em minha cabeça. Será que foi isso que me preveniu das espinhas na adolescência? É de se pensar…
Com 6 anos de idade eu passei a estudar no Colégio da Polícia Militar e lá fiquei até o término do 3° ano do ensino médio. Sair de uma escola pequena de bairro para uma escola grande e ainda com um regime militar foi um choque muito grande. A coisa ainda ficava pior quando eu via meu irmão, dois anos mais velho, querendo fugir da escola. Mas depois de uma surra, da presença de meus pais na sala de aula durante uma semana e uma boa paparicada da professora eu comecei a me acostumar… e fico grato por isso. Nos doze anos em que eu passei no CPM eu fiz vários amigos (seis deles em especial) e foi triste acordar para a realidade e saber que um dia o meu tempo ali iria acabar. Se eu pudesse ficar preso no tempo no meu ensino médio seria maravilhoso!
Enfim, aos 18 anos, estava eu ingressando em mais um ambiente hostil… pelo menos é o que as “lendas urbanas” diziam. Descobrir que a UFBA não era 10% do que as pessoas aterrorizavam foi uma injeção de ânimo para quem havia acabado de rejeitar uma bolsa integral em uma faculdade particular. É verdade que a infra-estrutura não é lá essas coisas, mas o ambiente era ótimo e as pessoas mais ainda. Quanto ao estudo, o desgaste físico e mental era mais desafiador do que as disciplinas em si (com exceções, é claro). Descobri os prazeres de se filar uma aula e acredito que, oficialmente, eu não cumpri nem metade da carga horária que consta no meu currículo. Na UFBA eu fiz ótimas amizades que me ajudaram a percorrer essa etapa da jornada que seria impossível percorrer sozinho.
Hoje, quatro anos e meio depois cá estou eu com o meu diploma. Será que eu não mereço pelo menos seis meses de descanso?
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PS: Agora que eu consigo o meu diploma, querem acabar com a prisão especial para quem tem ensino superior. Sacanagem…
